DESPERDÍCIO DE ÁGUA NO JD. PANORAMA EM SARANDI

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

SARANDI: Unidade odontológica apodrece sem nunca ter sido usada


O ônibus apodreceu e quase tudo que estava no interior foi roubado em uma demonstração de falta de cuidado com o patrimônio público.

Com teto apodrecido e vazando água de chuva, piso deteriorado e paredes corroídas pela ferrugem, assim se acabou o ônibus em que estava montada a Unidade Móvel de Saúde comprada há sete anos pela prefeitura de Sarandi. No seu interior, dos equipamentos de primeira linha que faziam parte de dois gabinetes odontológicos, sobram apenas as cadeiras de dentista. O mais curioso de toda essa história é que nenhum homem, mulher ou criança foi atendido pela unidade, que está jogada em um canto do pátio de máquinas.
A unidade móvel é um ônibus que por dentro apresenta estrutura dividida em quatro ambientes – uma sala de espera com bancos estofados, dois gabinetes odontológicos dotados de cadeiras odontológicas semi-automáticas, estufas para esterilização, refletor odontológico, lavatórios, cuspideiras com sugador de ar, armários, equipos com seringas tríplices com saída para alta e baixa rotação e bandeja auxiliar.
O equipamento, comprado em 2003, na primeira gestão do prefeito Cido Spada (PT), custou R$ 70 mil e deveria prestar cerca de 2.500 atendimentos por mês nos bairros de Sarandi, levando ainda outros serviços de saúde. Foi apresentado como uma revolução na saúde pública do município e foi levado a três inaugurações. Porém, antes que fosse usada, a unidade foi “esquecida” no pátio de máquinas da prefeitura e só foi redescoberta na segunda-feira, quando o prefeito Carlos Alberto de Paula Júnior (PDT) foi procurado por agentes da Polícia Federal em busca de informações sobre a compra do equipamento. A forma que se deu a compra é suspeita e foi devido a irregularidades da época que a unidade de saúde nunca foi usada. A empresa Saúde Sobre Rodas, que vendeu o equipamento, e a prefeitura de Sarandi fazem parte do relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Ambulâncias, que ficou conhecida como CPMI das Sanguessugas.
A unidade móvel foi vendida por empresas que pertencem a um grupo que na mesma época foi acusado de fraudar licitações nos mesmos moldes da Planam e foi paga com recursos oriundos do Ministério da Saúde, com contrapartida de 10% da prefeitura.
O prefeito Carlos de Paula autorizou sua equipe a entregar todos os documentos solicitados pela Polícia Federal, mas acha que é impossível recuperar o equipamento, pois além da deterioração do ônibus, praticamente tudo que existia no interior desapareceu. “Se houve algum motivo que impediu o uso dos gabinetes odontológicos na época, o ideal era que se tivesse o cuidada de proteger o equipamento para que ele estivesse em condições de uso quando fosse liberado”, afirmou, citando que o tratamento dado à unidade móvel é uma demonstração de desrespeito com o dinheiro público. Informações: Luiz de Carvalho

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